29 de novembro de 2016

Pesquisadores publicam ensaio sobre a filosofia de David Hume

Os pesquisadores Denize Carolina da Cunha e Nivaldo Machado acabam de lançar o ensaio “Simpatia e aprovação moral da justiça na filosofia de Hume”. O material integra a versão digital do livro “Ensaios sobre a filosofia de Hume”, organizado pelos professores Jaimir Conte, Marília Côrtes de Ferraz e Flávio Zimmermann.
De acordo com Denize, o ensaio é resultado dos estudos realizados junto ao Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas e, sobretudo, do trabalho de conclusão de curso, que teve como tema a teoria da justiça em Hume, e foi orientado pelo professor Nivaldo.
“Este trabalho procura mostrar a relevância da simpatia na aprovação e na prevalência das regras da justiça, ramificando uma inclinação natural proposta por Hume, centralizada em sua principal obra ‘Tratado da Natureza Humana’, conclui Denize.

O ensaio dos pesquisadores está disponível na íntegra para leitura no link: NEL

27 de outubro de 2016

O PROCESSO EVOLUCIONÁRIO DAS ESPÉCIES ARTIFICIAIS

Nivaldo Machado[1]
Marcelo Machado[2]


Certamente este trabalho não fora iniciado com meu projeto de pós-doutoramento junto ao departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, todavia, foi através dele que o presente texto teve, mesmo sem o intuito de ser uma produção acabada, um de seus terrenos mais férteis.
Mas para chegar até aqui não poderia deixar de citar pessoas que tiveram significativa contribuição. Começando por meu orientador o professor Luiz Henrique de Araújo Dutra, cuja competência intelectual só é ultrapassada por sua grandiosidade humana em sua incansável labuta em prol do trabalho filosófico feito com o mais refinado cuidado. 
Tenho também dívida eterna com meu amigo João de Fernandes Teixeira que é certamente o maior incentivador em nosso país para o desenvolvimento das pesquisas na área da Filosofia da Mente.  Ao pesquisador e filósofo Gustavo Leal-Toledo por ser co-autor comigo em diversas obras e por sua postura intelectual refinadíssima. Aos pesquisadores Eduardo Legal e Sérgio Jacques Jablonski Júnior pelas correções em minhas ousadas discussões no âmbito das Neurociências e da Psicologia. 
Ao escritor e antropólogo Jean Segata por ter sido certamente um amigo e um mestre no uso das palavras. Aos filósofos Alexandre Meyer Luz, Jaimir Comte, Márlon Teixeira, Carlos Eduardo Sousa e Gabriel Mograbi pela seriedade e sofisticação no trabalho filosófico e, principalmente, em nossas intermináveis discussões acerca dos limites entre o âmbito filosófico e científico.  Por fim, meu querido grupo de pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, e, de modo mais direto ao professor Marcelo Rogério Machado, que escreveu comigo este breve ensaio.
Certamente o próprio Darwin não deva ter, nem mesmo em seu sonho mais descabido, vislumbrado que sua produção pudesse chegar a este ponto. Ou seja, quem imaginaria que implicações da teoria evolucionária pudessem permear discussões acerca da possibilidade de sua aplicação como critério para a evolução num mundo trans-humano! Teríamos nós e os robôs os mesmos ancestrais de modo que seja possível que  os robôs se apresentem como sendo o próximo passo evolucionário do homo sapiens sapiens!
Mas estas especulações até aqui aparentemente despretensiosas, hodiernamente, parecem já ter o mérito de receber um tratamento teórico bem mais cuidadoso.
Como este breve texto tem por intuito ser provocativo de discussão com pesquisadores e interessados na temática, algumas indagações talvez se façam interessantes:
i)               Será possível que seres artificiais evoluam?
ii)    Temos um conceito razoavelmente claro para o que, de fato, seja algo artificial? Ou, quais critérios seriam necessários para que a artificialidade se instaurasse?
iii)           O que seria uma espécie artificial?
iv)           Especiação biológica e artificial poderiam implicar algum tipo de correlação?
v)     Poderíamos ter uma espécie artificial que evoluísse de uma biológica? O sentido oposto seria também possível?

Creio já termos alguns elementos para começarmos nossa conversa...




[1] Doutor em Filosofia na área de Epistemologia e Filosofia da Mente pela Universidade Federal de São Carlos/UFSCar; Pós-Doutorando em Filosofia na área de Epistemologia e Lógica pela Universidade Federal de Santa Catarina; Coordenador do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas/UFSC-CNPq.
[2] Professor de Biologia e Membro do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas/UFSC-CNPq.

7 de julho de 2016

Representação e a figura do observador

Vitor Silva Tschoepke


O uso teórico da representação enfrenta, entre outros, dois tipos de inconsistência: a representação exigir a figura do agente para o qual ela será representativa, o que leva ou à circularidade ou ao regresso infinito, e a decorrente desta, que é a dificuldade em se conciliar uma descrição em termos representativos com outras categorias científicas mais fundamentais. A proposta deste trabalho será, para a solução desses problemas, a identificação de um processo referencial partindo da correlação entre estados de um sistema físico. Será apresentada uma dedução de como a superposição dos momentos da história causal de um sistema pode resultar em uma estrutura autorreferencial.

5 de julho de 2016

Pesquisas de Ponta em Direito - Parte 2*

Texto de Ítalo Oliveira

Continuando a série de postagens sobre pesquisas de ponta na área de direito (Parte 1 aqui), trago novos exemplos que merecem nossa atenção – dessa vez internacionais.

Um exemplo notável de grande área interdisciplinar é a interseção entre direito, lógica, inteligência artificial (IA) e informática, cujas repercussões práticas prometem mudar radicalmente a profissão jurídica. A primeira conferência internacional sobre direito e IA ocorreu em Boston, EUA, em 1987, isto é, bem antes da rede mundial de internet. De lá para cá a IA tem avançado: o escritório de advocacia Hodge Jones & Allen, em Londres, Inglaterra, é um dos pioneiros em usar um modelo preditivo para o resultado de casos, a fim de avaliar a viabilidade de dar andamento a processos jurídicos; a empresa forneceu a Andrew Chesher, professor da University College London, uma série de dados sobre os resultados de 600 casos concluídos em doze meses; ele usou uma combinação de técnicas estatísticas para analisar os fatores que contribuem para que os casos sejam ganhos ou perdidos, os danos assumidos pelos requerentes em casos de sucesso e os custos recebidos pela empresa. Não muito longe dali o Agent Applications, Research and Technology (Agent ART) Group, da Liverpool University, está desenvolvendo formas de aplicar a IA ao campo jurídico, como o processamento de textos, busca e análise de dados, automatizando a rotina de tarefas jurídicas, tornando sua execução mais rápida e barata.[1]

Os estudos em direito, lógica, IA e informática ganharam tanto relevo, que a Stanford University possui um centro de estudos apenas para isso: The Stanford Center for Legal Informatics (CodeX), operado conjuntamente pela Stanford Law School e pelo Stanford Computer Science Department.[2]

Outro campo interdisciplinar relacionado ao departamento de direito e à profissão jurídica que tem se mostrado produtivo é o Law and Economics Movement ou Análise Econômica do Direito[3]. A ideia central é aplicar os conceitos e os estudos econômicos, incluindo ferramentas matemáticas, para compreender, descrever e melhorar as práticas jurídicas. A ideia geral da maioria das análises econômicas é traçar as consequências de assumir que as pessoas são mais ou menos racionais em suas interações sociais – em regra, buscando seus objetivos e tentando maximizar seus benefícios e minimizar seus custos. No caso de atividades jurídicas, essas pessoas podem ser criminosos, promotores, partes no processo, contribuintes, auditores fiscais, trabalhadores – ou até estudantes de direito. Ou seja, análises econômicas vão muito além de dinheiro e capitalismo; elas são amplas o bastante para serem uma investigação do comportamento humano, razão pela qual têm afinidades com a teoria dos jogos. As pesquisas nessa área já são tão reconhecidas, que a The University of Chicago mantém um periódico dedicado apenas ao campo, The Journal of Law and Economics[4]. A faculdade de direito dessa universidade, inclusive, se destaca por ter um programa interdisciplinar que assume explicitamente que o estudo do direito não é uma disciplina autônoma: desde o primeiro dia de aula os estudantes dessa instituição tem sua atenção dirigida a insights das ciências sociais, das humanidades, e das ciências naturais[5].

Por fim, quero mencionar uma última área de interseção: direito e neurociências. Financiada pela John D. and Catherine T. MacArthur Foundation, o Research Network on Law and Neuroscience, da Vanderbilt University, é um centro de pesquisa que investiga problemas que se encontram entre a neurociência e a justiça criminal: 1) investiga estados mentais relevantes ao direito e processos de tomada de decisão em advogados, testemunhas, jurados e juízes; 2) investiga em adolescentes a relação entre o desenvolvimento do cérebro e as capacidades cognitivas; e 3) avalia a melhor forma de fazer inferências sobre os indivíduos a partir de dados neurocientíficos baseadas em grupos[6]. Outras questões desse campo interdisciplinar incluem: (a) Trata-se de uma legítima defesa alegar que um tumor ou uma lesão cerebral atenua um crime? (b) como os cérebros de menores diferem dos cérebros de adultos em sua capacidade de tomada de decisões e controle dos impulsos? (c) pode a neurociência informar normas de condenação, oferecendo uma melhor previsão de reincidência? (d) podem as novas tecnologias de imagem cerebral ser aproveitadas para novos métodos de reabilitação? (e) quem deve ter acesso a informações sobre nossos cérebros? (f) como deve o júri avaliar a culpabilidade quando a maioria dos comportamentos são movidos por sistemas inconscientes do cérebro?[7] Essas e outras questões nada triviais e bastante complexas estão muito longe de serem respondidas por qualquer pesquisa que tenha (até hoje) se apresentado como especificamente jurídica, como a dogmática jurídica, e, no entanto, são perguntas da mais alta relevância para a sociedade e para o direito.



* Texto originalmente publicado no blog Ensino e Pesquisa em Direito
[1] CROSS, Michael. Role of Artificial Intelligence in Law. Published February 19, 2015, em <http://raconteur.net/business/time-for-technology-to-take-over>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[2] Detalhes sobre o centro de estudos no site da instituição: <http://codex.stanford.edu/>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[3] POSNER, Richard. Values and Consequences: An Introduction to Economic Analysis of Law. In: JOHN M. OLIN LAW & ECONOMICS WORKING PAPER NO. 53, 1988. Disponível em <http://www.law.uchicago.edu/files/files/53.Posner.Values_0.pdf>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
Mais sobre a análise econômica do direito, os verbetes The Economic Analysis of Law e Law and Economics, respectivamente, na Stanford Encyclopedia of Philosophy e na Internet Encyclopedia of Philosophy, cujos endereços, respectivamente, são: <http://plato.stanford.edu/index.html> e <http://www.iep.utm.edu/>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[4] Detalhes sobre o periódico em <http://www.journals.uchicago.edu/toc/jle/current>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[5] Detalhes sobre o programa interdisciplinar da Universidade de Chicago: <http://www.law.uchicago.edu/projects/interdisciplinary>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[6] Detalhes sobre o Research Network on Law and Neuroscience: <http://www.lawneuro.org/>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.
[7] EAGLEMAN, David M. Neuroscience and the law. Houston Lawyer 16.6 (2008): 36-40. Disponível em <http://www.thehoustonlawyer.com/aa_mar08/page36.htm>. Acesso em 5 de fevereiro de 2016.

11 de maio de 2016

Pesquisadores vão apresentar trabalhos durante o VI CIEPE

Nesta terça-feira, dia 10, teve início o VI Congresso Integrado de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unidavi (CIEPE), em Rio do Sul, SC. O evento tem como tema “Desenvolvimento” e visa promover a integração e a divulgação das atividades desenvolvidas em nível de Ensino, Pesquisa e Extensão da Instituição.

O grupo de pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas vai participar do VI CIEPE nesta quarta (dia 11) e quinta-feira (dia 12) através da apresentação dos projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos por seus integrantes. Confira o cronograma das apresentações dos pesquisadores:
                                                        
Dia 11 (quarta-feira)
19h25min.
Sala 305. Aspectos Neurocientíficos do Desenvolvimento Cognitivo (Natanna Taynara).

19h50min.
Sala 107. Grupo de Pesquisa Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas: 13 anos de contribuição ao desenvolvimento científico da região (Rafaela Sandrini e Monique Beppler do Amarante)

19h50min.
Sala 305. Imposturas intelectuais: o Pós-Modernismo Desmascarado (Mickhael Erik Alexander Bachmann e Nivaldo Machado).


Dia 12 (quinta-feira)
19h25min.
Sala 306. Percurso Histórico das relações mente-corpo (Pedro Toniazzo Terres)

19h50min.
Sala 204. Imputabilidade Penal e Psicopatologia Moderna (Leonardo Linhares)

20h40min.
Sala 208. Livre-arbítrio, liberdade e responsabilidade pessoal (Julia Gabriela)

21h05min.
Sala 208. Neuroética: o cérebro, a mente e o reto agir (Rangel Nicácio)

21h30min
Sala 208. Síntese - Herança Cartesiana (Elizeu de Oliveira)