Nivaldo Machado[1]
Marcelo Machado[2]
Certamente este
trabalho não fora iniciado com meu projeto de pós-doutoramento junto ao
departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina, todavia,
foi através dele que o presente texto teve, mesmo sem o intuito de ser uma
produção acabada, um de seus terrenos mais férteis.
Mas para chegar até
aqui não poderia deixar de citar pessoas que tiveram significativa
contribuição. Começando por meu orientador o professor Luiz Henrique de Araújo
Dutra, cuja competência intelectual só é ultrapassada por sua grandiosidade
humana em sua incansável labuta em prol do trabalho filosófico feito com o mais
refinado cuidado.
Tenho também dívida eterna com meu amigo João de Fernandes
Teixeira que é certamente o maior incentivador em nosso país para o desenvolvimento
das pesquisas na área da Filosofia da Mente.
Ao pesquisador e filósofo Gustavo Leal-Toledo por ser co-autor comigo em
diversas obras e por sua postura intelectual refinadíssima. Aos pesquisadores
Eduardo Legal e Sérgio Jacques Jablonski Júnior pelas correções em minhas
ousadas discussões no âmbito das Neurociências e da Psicologia.
Ao escritor e
antropólogo Jean Segata por ter sido certamente um amigo e um mestre no uso das
palavras. Aos filósofos Alexandre Meyer Luz, Jaimir Comte, Márlon Teixeira,
Carlos Eduardo Sousa e Gabriel Mograbi pela seriedade e sofisticação no
trabalho filosófico e, principalmente, em nossas intermináveis discussões
acerca dos limites entre o âmbito filosófico e científico. Por fim, meu querido grupo de pesquisa em
Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, e, de modo mais direto ao professor
Marcelo Rogério Machado, que escreveu comigo este breve ensaio.
Certamente o próprio
Darwin não deva ter, nem mesmo em seu sonho mais descabido, vislumbrado que sua
produção pudesse chegar a este ponto. Ou seja, quem imaginaria que implicações
da teoria evolucionária pudessem permear discussões acerca da possibilidade de
sua aplicação como critério para a evolução num mundo trans-humano! Teríamos
nós e os robôs os mesmos ancestrais de modo que seja possível que os robôs se apresentem como sendo o próximo
passo evolucionário do homo sapiens
sapiens!
Mas estas especulações
até aqui aparentemente despretensiosas, hodiernamente, parecem já ter o mérito
de receber um tratamento teórico bem mais cuidadoso.
Como este breve texto
tem por intuito ser provocativo de discussão com pesquisadores e interessados
na temática, algumas indagações talvez se façam interessantes:
i) Será
possível que seres artificiais evoluam?
ii) Temos
um conceito razoavelmente claro para o que, de fato, seja algo artificial? Ou,
quais critérios seriam necessários para que a artificialidade se instaurasse?
iii) O
que seria uma espécie artificial?
iv) Especiação
biológica e artificial poderiam implicar algum tipo de correlação?
v) Poderíamos
ter uma espécie artificial que evoluísse de uma biológica? O sentido oposto
seria também possível?
Creio já termos alguns
elementos para começarmos nossa conversa...
[1]
Doutor em Filosofia na área de Epistemologia e Filosofia da Mente pela
Universidade Federal de São Carlos/UFSCar; Pós-Doutorando em Filosofia na área
de Epistemologia e Lógica pela Universidade Federal de Santa Catarina;
Coordenador do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e Ciências
Cognitivas/UFSC-CNPq.
[2]
Professor de Biologia e Membro do Grupo de Pesquisa em Filosofia da Mente e
Ciências Cognitivas/UFSC-CNPq.



